O Mercantilismo
Foi a conseqüência da ampliação de horizontes econômicos propiciada pelos descobrimentos marítimos do século XVI, o mercantilismo, apesar de apresentar variantes de país para país, esteve sempre associado ao projeto de um estado monárquico poderoso, capaz de se impor entre as nações européias.
Mercantilismo é a teoria e prática econômica que defendiam, do século XVI a meados do XVII, o fortalecimento do estado por meio da posse de metais preciosos, do controle governamental da economia e da expansão comercial. Os principais promotores do mercantilismo, como Thomas Mun na Grã-Bretanha, Jean-Baptiste Colbert na França e Antonio Serra na Itália, nunca empregaram esse termo. Sua divulgação coube ao maior crítico do sistema, o escocês Adam Smith, em “The Wealth of Nations” (1776, A riqueza das nações).
Para a consecução dos objetivos mercantilistas, todos os outros interesses deviam ser relegados a segundo plano: a economia local tinha que se transformar em nacional e o lucro individual desaparecer quando assim conviesse ao fortalecimento do poder nacional. A teoria foi exposta de maneira dispersa em numerosos folhetos, meio de comunicação então preferido pelos preconizadores de uma doutrina.
Programa da política mercantilista
Alcançar a abundância de moeda era, efetivamente, um dos objetivos básicos dos mercantilistas, já que, segundo estes, a força do estado dependia de suas reservas monetárias. Se uma nação não dispunha de minas, tinha de buscar o ouro necessário em suas colônias ou, caso não as tivesse, adquiri-lo por meio do comércio, o que exigia um saldo favorável da balança comercial, ou seja, que o valor das exportações fosse superior ao das importações.
Para obter uma produção suficiente, deviam ser utilizados hábil e eficazmente todos os recursos produtivos do país, em especial o fator trabalho. Toda nação forte precisava possuir uma grande população que fornecesse trabalhadores e soldados, e ao mesmo tempo o mercado correspondente. As possessões coloniais deveriam fornecer metais preciosos e matérias-primas para alimentar a manufatura nacional, ao mesmo tempo em que constituíssem mercados consumidores dos produtos manufaturados da metrópole. Proibiam-se as atividades manufatureiras nas colônias, e o comércio, em regime de monopólio, era reservado à metrópole.
Em território nacional, o mercantilismo preconizou o desaparecimento das alfândegas interiores, a supressão ou redução dos entraves à produção forçados pelas corporações de ofício, o emprego de sistemas de contabilidade e acompanhamento das contas de receitas e despesas do estado, a troca de funcionários corruptos ou negligentes por outros honestos e competentes, a criação de uma fiscalização centralizada e a adoção de leis que desestimulassem a importação de bens improdutivos e de grande valor.
Avaliação do mercantilismo
A crítica mais abrangente do mercantilismo foi movida por Adam Smith, que denunciou a falsa identificação, feita por muitos teóricos dessa corrente econômica, entre dinheiro e riqueza. Com efeito, o forte protecionismo alfandegário e comercial, e a subordinação da economia das colônias à da metrópole, não tinham como fim último o desenvolvimento da manufatura nacional, mas, como foi assinalado, a maior acumulação possível de metais nobres.
A economia clássica posterior, cujo principal representante foi Smith, preconizou, ao contrário, a livre atividade comercial e manufatureira em qualquer território - colônia ou metrópole - já que, segundo seus princípios, a riqueza não se identificava com o simples acúmulo de reservas monetárias, mas com a própria produção de bens. No século XX, porém, o economista britânico John Maynard Keynes retomou formulações do mercantilismo e afirmou a existência de similitudes entre sua própria teoria do processo econômico e a teoria mercantilista.
Independentemente das diversas análises econômicas a que foi submetido, o mercantilismo foi o instrumento que assegurou as condições econômicas e financeiras necessários a garantir a expansão dos estados absolutistas europeus. Entre os representantes do mercantilismo distinguiu-se o francês Jean-Baptiste Colbert, ministro da Fazenda de Luís XIV, de tal importância que seu nome serviu para se cunhar o termo por que é conhecida a variante francesa do mercantilismo, o colbertismo.
Na Grã-Bretanha, além de Thomas Mun, sustentaram a mesma orientação James Steuart e Josiah Child, assim como na França Jean Bodin e Antoine de Montchrestien. Em Portugal, as primeiras reformas do marquês de Pombal revelam sua filiação à teoria mercantilista.
segunda-feira, 19 de março de 2007
segunda-feira, 5 de março de 2007
Pensamento Fisiocrata
A criação Científica da Economia
1.Fisiocracia (Séc. XVIII)
A palavra fisiocracia significa governo da natureza. Isto é, de acordo com o pensamento fisiocrático as atividades econômicas não deveriam ser reguladas de modo excessivo e nem guiadas por forças "antinaturais". Dever-se-ia conceder uma maior liberdade a essas atividades, afinal "uma ordem imposta pela natureza e regida pelas leis naturais" governaria o mercado e tudo se acomodaria como tivesse que ser.
Na fisiocracia a base econômica é a produção agrícola, ou seja, um liberalismo agrariarista, onde a sociedade estava dividida em três classes: produtiva, proprietários de terra e as demais classes. O papel do Estado se limitava a ser o guardião da propriedade e garantidor de liberdade econômica, não deveria intervir no mercado ("laissez-faire, laissez-passer"), pois existia uma "ordem natural" que regia as atividades econômicas.
O fundador da escola fisiocrata, e da primeira fase científica da economia, foi François Quesnay (1694-1774), autor de livros que até hoje são inspiração para economistas atuais, como por exemplo, Tableau Économique. Não se pode falar em fisiocracia, sem citar seu nome. Quesnay foi autor de alguns princípios, como o da filosofia social utilitarista, em que se deveria obter a máxima satisfação com um mínimo de esforço, o do harmonismo. Não obstante a existência do antagonismo das classes sociais, acreditava-se na compatibilidade ou complementaridade dos interesses pessoais numa sociedade competitiva; e, por fim, a teoria do capital, onde os empresários só poderiam começar o seu empreendimento com certo capital já acumulado, com os devidos equipamentos.
Em seu livro Tableau Économique foi representado um esquema de fluxo de bens e despesas entre as diferentes classes sociais. Além de evidenciar a interdependência entre as atividades econômicas e mostrou como a agricultura fornece um "produto líquido" que é repartido na sociedade.
Com o advento da fisiocracia surgiram duas grandes idéias de alta relevância para o desenvolvimento do pensamento econômico. A primeira diz que há uma ordem natural que rege todas as atividades econômicas, sendo inútil criar leis à organização econômica. A segunda se refere a maior importância da agricultura sobre o comércio e a indústria, ou seja, a terra é a fonte de todas as riquezas que mais tarde farão parte destes dois campos econômicos.
2.Fisiocracia ( Séc. XIX e XX)
Os economistas clássicos do século XIX - Adam Smith, David Ricardo e Karl Marx - preocuparam-se com as condições físicas da produção e distribuição da "riqueza". Essa preocupação já tinha seus antecedentes no pensamento fisiocrático do século XVIII, em que a função econômica central da agricultura mobilizava solo, energia (a radiação solar), plantas e animais (organismos bióticos).
Se, por um lado, esta concepção de desenvolvimento sustentável traz consigo uma crítica ao capitalismo globalizado e desregulamentado e seus impactos sobre a autonomia decisória dos Estados nacionais, por outro, ao propor uma volta ao passado – que também se expressa na sacralização das comunidades tradicionais e dos recursos naturais – esta proposta de desenvolvimento sustentável realiza uma inversão dos postulados do paradigma mecanicista e, desta forma, não ultrapassa os marcos do dualismo cartesiano homem-natureza. Trata-se de um desenvolvimento sustentável “biocêntrico”: enquanto no cartesianismo o homem é colocado no centro do universo, fundamentando o antropocentrismo e a degradação ambiental, na matriz discursiva da auto-suficiência, o homem é visto em posição de subserviência em relação à natureza.
Esta concepção tem como princípio norteador a lógica da auto-suficiência e da auto-regulação na busca do equilíbrio homem-natureza e seus pressupostos estão ancorados nas idéias do naturalista inglês Gilbert White (1720-1793) e na fisiocracia do economista político clássico François Quesnay, particularmente em seu Quadro Econômico, de 1758.
White propunha uma volta ao passado ou a “reanimação dos laços de lealdade entre os homens e as energias vitais da terra”, através de uma concepção orgânica ou harmônica da relação homens-recurso naturais, em contraposição ao mecanicismo reducionista que promoveu a alienação dos seres humanos da natureza (cartesianismo/ antropocentrismo) (GRÜN, 1996). Quesnay, por seu turno, também defendia a construção de uma relação harmônica entre Homens e natureza, entretanto isto significava uma severa obediência às leis naturais. Na realidade, fisiocracia significa “governo da natureza”, ou seja, os fisiocratas entendem que existem leis naturais que governam as atividades econômicas (determinismo natural). Se, por um lado, o principal problema identificado pela teoria do valor no pensamento fisiocrático foi o fato de considerarem que somente a agricultura gera excedente (produto líquido) ou riqueza, por outro, a fisiocracia teve o mérito de chamar a atenção para a origem e definição do conceito de riqueza: “a reprodução econômica é garantida pelas riquezas renascentes”, regeneráveis, ou seja, pelos recursos naturais renováveis.
CORDEIRO (1995) resgata a importância do pensamento fisiocrático para a reflexão sobre a preservação dos recursos naturais renováveis, considerados a verdadeira riqueza social. François Quesnay (1985) privilegia a riqueza social (valor de uso) em detrimento da acumulação capitalista (valor de troca), questionando a “sociedade do ter” (consumismo) em favor da “sociedade do ser”. Em síntese, os fisiocratas buscavam as condições de uma reprodução a longo prazo da vida social, apresentando uma baixa preocupação com o processo de acumulação capitalista.
A análise dos pressupostos que norteiam esta concepção de desenvolvimento sustentável nos permite compreender que, na lógica da auto-suficiência e da auto-regulação, a relação trabalho e meio ambiente aponta para a subsunção do trabalho à natureza e “do indivíduo à comunidade, tornando-o uma mera função social” (MAZZOTTI).
Por fim, uma terceira concepção de desenvolvimento sustentável tem como perspectiva a “sustentabilidade democrática”, “entendida como o processo pelos quais as sociedades administram as condições materiais de sua reprodução, redefinindo os princípios éticos e sociopolíticos que orientam a distribuição de seus recursos ambientais” (ACSELRAD; LEROY, 1999). Propõe uma mudança do paradigma hegemônico de desenvolvimento econômico, com base em princípios de justiça social, superação da desigualdade socioeconômica e construção democrática ancorada no dinamismo dos atores sociais. Traz a discussão da sustentabilidade para o campo das relações sociais, analisando as formas sociais de apropriação e uso dos recursos e do meio ambiente. Compreende que as noções de sustentabilidade e de desenvolvimento sustentável são construções sociais fruto do embate político entre os vários atores em busca de hegemonia de suas posições.
Nesta perspectiva, o mercado deixa de ser um ator privilegiado do desenvolvimento e a visão economicista de um modelo que privilegia o crescimento econômico desconsiderando o caráter finito dos recursos naturais, cede lugar a uma perspectiva de desenvolvimento democrático, que se realiza na partição da riqueza social e na distribuição do controle sobre os recursos, inclusive os provenientes da natureza, explicitando o cunho político desta apropriação.
Esta concepção de desenvolvimento sustentável tem como fundamento norteador a eqüidade como princípio da sustentabilidade, destacando que é o modo de produção capitalista que está na raiz da desigualdade social e da degradação ambiental. Seus pressupostos estão ancorados na tradição do marxismo e na crítica da economia política, ou seja, nas críticas à sociedade fundada sobre a propriedade privada dos meios de produção, à subsunção do trabalho ao capital e à lógica da acumulação capitalista (Marx, 1988).
Para os fisiocratas, só a agricultura é produtiva, dado que só a agricultura tem a possibilidade de produzir uma quantidade de riqueza superior à que consome.
Consideravam estéreis tanto a indústria como o comércio. Entendem que só pode ser legitimamente considerado como riqueza o excedente que esta riqueza representar em relação ao consumo de riqueza que aqueles encargos representam. Ao excedente obtido na operação produtiva deu os fisiocratas o nome de produto líquido. Este produto líquido é exclusivo da produção agrícola. Só a agricultura cria realmente riqueza, porque nela ao trabalho produtivo se junta à fecundidade da terra: Deus é o único produtor (Dupont). O comércio e a indústria são classes estéreis na medida em que ganham, mas não produzem. Verdadeiramente, só a agricultura produz e nem mesmo a própria exploração mineira oferece um produto líquido semelhante ao da agricultura.
Os fisiocratas, que definiram riqueza como a totalidade dos bens comercializáveis produzidos anualmente (Quesnay), estabeleceram uma síntese teórica da distribuição dos rendimentos: pretenderam demonstrar que as riquezas circulam na sociedade por elas próprias, de uma classe para a outra. Quesnay distinguia três classes sociais: a classe produtiva, composta pelos agricultores; a classe proprietária, que abrangia não só os proprietários, mas igualmente os que exerciam, a qualquer título, a soberania; a classe estéril, que englobava os que se dedicavam à indústria, ao comércio e às profissões liberais. No seu Quadro, Quesnay descreveu como os rendimentos se distribuíam desigualmente por estas três classes.
O objetivo do Quadro era ilustrar a teoria fisiocrática fundada sobre o princípio de que a única fonte de riqueza provinha da agricultura, nos termos de Quesnay, da classe dos agricultores. O ponto de partida do ciclo econômico descrito na obra era, portanto, a riqueza produzida pela classe agrícola. O Quadro mostrava como esta riqueza se repartia: a classe agrícola conservava uma parte das riquezas que produzira para a sua própria manutenção e para assegurar a reprodução da riqueza. Uma outra parte dos bens produzidos, ou as quantias em dinheiro que lhes correspondiam, era transferida para a classe proprietária. A classe agrícola tinha de comprar bens industriais ou de pagar serviços à classe estéril. A classe estéril utilizava o dinheiro que recebera das suas vendas e serviços às outras classes na sua subsistência e na compra de matérias-primas necessárias à sua indústria. Em ambos os casos, as somas recebidas pela classe estéril eram recuperadas pela agricultura.
Um exemplo do quadro Econômico de Quesnay:
Agricul Prop Artesa Total
Agricultura 2 1 2 5
Proprietário 2 0 0 2
Artesanato 1 1 0 2
Total 5 2 2 9
Na horizontal lêem-se as vendas, por exemplo, os proprietários (arrendatários) apenas vendem à agricultura a terra onde produzem, já a Agricultura vende 2 a ela mesma, vende 1 aos Proprietários e venda 2 ao Artesanato, por isso é que é Produtiva.
Na Vertical lê se as compras, por exemplo, a agricultura, compra 2 ao mesmo sector, 2 aos proprietários (a renda da terra) e 1 ao artesanato (por exemplo meios de produção). Mais tarde este quadro seria desenvolvido, com o aumento do número de sectores e a inserção de novas variáveis econômicas como o valor das exportações, das importações, das variações de existências, da FBCF, etc.
3 Fisiocracia na Política
Os fisiocratas defendem a liberdade de trabalho e a liberdade de dispor dos produtos do trabalho. Apesar de subestimarem a atividade comercial, defendem a liberdade de comércio, a livre concorrência, fiéis à idéia de que a liberdade gera o bom preço. Quesnay, contudo, recomenda a regulamentação da taxa de juro, cuja liberdade repele como prejudicial aos interesses da agricultura. Em matéria de política fiscal, e porque é a terra que realmente produz riqueza, entenderam que é sobre a atividade agrícola que deve recair o imposto. Sob o aspecto político, mostram-se favorável ao chamado despotismo ilustrado e pensam que no Estado devem prevalecer os interesses dos proprietários rurais, com os quais o soberano é solidário, dado que é o co-proprietário dos produtos líquidos da nação.
4. Definição das Classes Sociais
Proprietários de terra
Inclui o soberano, os donos das terras e os cobradores dos dízimos. Esta classe subsiste pelo rendimento ou produto liquido que lhe é pago anualmente pela classe produtiva, depois que esta classe retirou antecipadamente da produção que ela faz renascer cada ano as riquezas necessárias para manter as suas riquezas de exploração.
Classe produtiva (arrendatários de terra)
Segundo os fisiocratas, é a classe que faz renascer pelo cultivo da terra, as riquezas anuais da nação, que realiza os adiantamentos das empresas dos trabalhos da agricultura e que paga anualmente os rendimentos dos proprietários da terra. Encerram-se na dependência desta classe todos os trabalhos e todas as despesas feitas até a venda das produções em primeira mão, é por esta venda que se conhece o valor da produção anual das riquezas da nação.
Classe estéril
Para os fisiocratas é estéril porque não produz excedente. É formada pelos cidadãos ocupados em outros serviços e trabalhos que não sejam os da agricultura, e suas despesas são pagas pela classe produtiva e pela classe dos proprietários, que retira, por sua vez, os seus rendimentos da classe produtiva.Esta classe sobrevive dos gastos das duas classes anteriores
1.Fisiocracia (Séc. XVIII)
A palavra fisiocracia significa governo da natureza. Isto é, de acordo com o pensamento fisiocrático as atividades econômicas não deveriam ser reguladas de modo excessivo e nem guiadas por forças "antinaturais". Dever-se-ia conceder uma maior liberdade a essas atividades, afinal "uma ordem imposta pela natureza e regida pelas leis naturais" governaria o mercado e tudo se acomodaria como tivesse que ser.
Na fisiocracia a base econômica é a produção agrícola, ou seja, um liberalismo agrariarista, onde a sociedade estava dividida em três classes: produtiva, proprietários de terra e as demais classes. O papel do Estado se limitava a ser o guardião da propriedade e garantidor de liberdade econômica, não deveria intervir no mercado ("laissez-faire, laissez-passer"), pois existia uma "ordem natural" que regia as atividades econômicas.
O fundador da escola fisiocrata, e da primeira fase científica da economia, foi François Quesnay (1694-1774), autor de livros que até hoje são inspiração para economistas atuais, como por exemplo, Tableau Économique. Não se pode falar em fisiocracia, sem citar seu nome. Quesnay foi autor de alguns princípios, como o da filosofia social utilitarista, em que se deveria obter a máxima satisfação com um mínimo de esforço, o do harmonismo. Não obstante a existência do antagonismo das classes sociais, acreditava-se na compatibilidade ou complementaridade dos interesses pessoais numa sociedade competitiva; e, por fim, a teoria do capital, onde os empresários só poderiam começar o seu empreendimento com certo capital já acumulado, com os devidos equipamentos.
Em seu livro Tableau Économique foi representado um esquema de fluxo de bens e despesas entre as diferentes classes sociais. Além de evidenciar a interdependência entre as atividades econômicas e mostrou como a agricultura fornece um "produto líquido" que é repartido na sociedade.
Com o advento da fisiocracia surgiram duas grandes idéias de alta relevância para o desenvolvimento do pensamento econômico. A primeira diz que há uma ordem natural que rege todas as atividades econômicas, sendo inútil criar leis à organização econômica. A segunda se refere a maior importância da agricultura sobre o comércio e a indústria, ou seja, a terra é a fonte de todas as riquezas que mais tarde farão parte destes dois campos econômicos.
2.Fisiocracia ( Séc. XIX e XX)
Os economistas clássicos do século XIX - Adam Smith, David Ricardo e Karl Marx - preocuparam-se com as condições físicas da produção e distribuição da "riqueza". Essa preocupação já tinha seus antecedentes no pensamento fisiocrático do século XVIII, em que a função econômica central da agricultura mobilizava solo, energia (a radiação solar), plantas e animais (organismos bióticos).
Se, por um lado, esta concepção de desenvolvimento sustentável traz consigo uma crítica ao capitalismo globalizado e desregulamentado e seus impactos sobre a autonomia decisória dos Estados nacionais, por outro, ao propor uma volta ao passado – que também se expressa na sacralização das comunidades tradicionais e dos recursos naturais – esta proposta de desenvolvimento sustentável realiza uma inversão dos postulados do paradigma mecanicista e, desta forma, não ultrapassa os marcos do dualismo cartesiano homem-natureza. Trata-se de um desenvolvimento sustentável “biocêntrico”: enquanto no cartesianismo o homem é colocado no centro do universo, fundamentando o antropocentrismo e a degradação ambiental, na matriz discursiva da auto-suficiência, o homem é visto em posição de subserviência em relação à natureza.
Esta concepção tem como princípio norteador a lógica da auto-suficiência e da auto-regulação na busca do equilíbrio homem-natureza e seus pressupostos estão ancorados nas idéias do naturalista inglês Gilbert White (1720-1793) e na fisiocracia do economista político clássico François Quesnay, particularmente em seu Quadro Econômico, de 1758.
White propunha uma volta ao passado ou a “reanimação dos laços de lealdade entre os homens e as energias vitais da terra”, através de uma concepção orgânica ou harmônica da relação homens-recurso naturais, em contraposição ao mecanicismo reducionista que promoveu a alienação dos seres humanos da natureza (cartesianismo/ antropocentrismo) (GRÜN, 1996). Quesnay, por seu turno, também defendia a construção de uma relação harmônica entre Homens e natureza, entretanto isto significava uma severa obediência às leis naturais. Na realidade, fisiocracia significa “governo da natureza”, ou seja, os fisiocratas entendem que existem leis naturais que governam as atividades econômicas (determinismo natural). Se, por um lado, o principal problema identificado pela teoria do valor no pensamento fisiocrático foi o fato de considerarem que somente a agricultura gera excedente (produto líquido) ou riqueza, por outro, a fisiocracia teve o mérito de chamar a atenção para a origem e definição do conceito de riqueza: “a reprodução econômica é garantida pelas riquezas renascentes”, regeneráveis, ou seja, pelos recursos naturais renováveis.
CORDEIRO (1995) resgata a importância do pensamento fisiocrático para a reflexão sobre a preservação dos recursos naturais renováveis, considerados a verdadeira riqueza social. François Quesnay (1985) privilegia a riqueza social (valor de uso) em detrimento da acumulação capitalista (valor de troca), questionando a “sociedade do ter” (consumismo) em favor da “sociedade do ser”. Em síntese, os fisiocratas buscavam as condições de uma reprodução a longo prazo da vida social, apresentando uma baixa preocupação com o processo de acumulação capitalista.
A análise dos pressupostos que norteiam esta concepção de desenvolvimento sustentável nos permite compreender que, na lógica da auto-suficiência e da auto-regulação, a relação trabalho e meio ambiente aponta para a subsunção do trabalho à natureza e “do indivíduo à comunidade, tornando-o uma mera função social” (MAZZOTTI).
Por fim, uma terceira concepção de desenvolvimento sustentável tem como perspectiva a “sustentabilidade democrática”, “entendida como o processo pelos quais as sociedades administram as condições materiais de sua reprodução, redefinindo os princípios éticos e sociopolíticos que orientam a distribuição de seus recursos ambientais” (ACSELRAD; LEROY, 1999). Propõe uma mudança do paradigma hegemônico de desenvolvimento econômico, com base em princípios de justiça social, superação da desigualdade socioeconômica e construção democrática ancorada no dinamismo dos atores sociais. Traz a discussão da sustentabilidade para o campo das relações sociais, analisando as formas sociais de apropriação e uso dos recursos e do meio ambiente. Compreende que as noções de sustentabilidade e de desenvolvimento sustentável são construções sociais fruto do embate político entre os vários atores em busca de hegemonia de suas posições.
Nesta perspectiva, o mercado deixa de ser um ator privilegiado do desenvolvimento e a visão economicista de um modelo que privilegia o crescimento econômico desconsiderando o caráter finito dos recursos naturais, cede lugar a uma perspectiva de desenvolvimento democrático, que se realiza na partição da riqueza social e na distribuição do controle sobre os recursos, inclusive os provenientes da natureza, explicitando o cunho político desta apropriação.
Esta concepção de desenvolvimento sustentável tem como fundamento norteador a eqüidade como princípio da sustentabilidade, destacando que é o modo de produção capitalista que está na raiz da desigualdade social e da degradação ambiental. Seus pressupostos estão ancorados na tradição do marxismo e na crítica da economia política, ou seja, nas críticas à sociedade fundada sobre a propriedade privada dos meios de produção, à subsunção do trabalho ao capital e à lógica da acumulação capitalista (Marx, 1988).
Para os fisiocratas, só a agricultura é produtiva, dado que só a agricultura tem a possibilidade de produzir uma quantidade de riqueza superior à que consome.
Consideravam estéreis tanto a indústria como o comércio. Entendem que só pode ser legitimamente considerado como riqueza o excedente que esta riqueza representar em relação ao consumo de riqueza que aqueles encargos representam. Ao excedente obtido na operação produtiva deu os fisiocratas o nome de produto líquido. Este produto líquido é exclusivo da produção agrícola. Só a agricultura cria realmente riqueza, porque nela ao trabalho produtivo se junta à fecundidade da terra: Deus é o único produtor (Dupont). O comércio e a indústria são classes estéreis na medida em que ganham, mas não produzem. Verdadeiramente, só a agricultura produz e nem mesmo a própria exploração mineira oferece um produto líquido semelhante ao da agricultura.
Os fisiocratas, que definiram riqueza como a totalidade dos bens comercializáveis produzidos anualmente (Quesnay), estabeleceram uma síntese teórica da distribuição dos rendimentos: pretenderam demonstrar que as riquezas circulam na sociedade por elas próprias, de uma classe para a outra. Quesnay distinguia três classes sociais: a classe produtiva, composta pelos agricultores; a classe proprietária, que abrangia não só os proprietários, mas igualmente os que exerciam, a qualquer título, a soberania; a classe estéril, que englobava os que se dedicavam à indústria, ao comércio e às profissões liberais. No seu Quadro, Quesnay descreveu como os rendimentos se distribuíam desigualmente por estas três classes.
O objetivo do Quadro era ilustrar a teoria fisiocrática fundada sobre o princípio de que a única fonte de riqueza provinha da agricultura, nos termos de Quesnay, da classe dos agricultores. O ponto de partida do ciclo econômico descrito na obra era, portanto, a riqueza produzida pela classe agrícola. O Quadro mostrava como esta riqueza se repartia: a classe agrícola conservava uma parte das riquezas que produzira para a sua própria manutenção e para assegurar a reprodução da riqueza. Uma outra parte dos bens produzidos, ou as quantias em dinheiro que lhes correspondiam, era transferida para a classe proprietária. A classe agrícola tinha de comprar bens industriais ou de pagar serviços à classe estéril. A classe estéril utilizava o dinheiro que recebera das suas vendas e serviços às outras classes na sua subsistência e na compra de matérias-primas necessárias à sua indústria. Em ambos os casos, as somas recebidas pela classe estéril eram recuperadas pela agricultura.
Um exemplo do quadro Econômico de Quesnay:
Agricul Prop Artesa Total
Agricultura 2 1 2 5
Proprietário 2 0 0 2
Artesanato 1 1 0 2
Total 5 2 2 9
Na horizontal lêem-se as vendas, por exemplo, os proprietários (arrendatários) apenas vendem à agricultura a terra onde produzem, já a Agricultura vende 2 a ela mesma, vende 1 aos Proprietários e venda 2 ao Artesanato, por isso é que é Produtiva.
Na Vertical lê se as compras, por exemplo, a agricultura, compra 2 ao mesmo sector, 2 aos proprietários (a renda da terra) e 1 ao artesanato (por exemplo meios de produção). Mais tarde este quadro seria desenvolvido, com o aumento do número de sectores e a inserção de novas variáveis econômicas como o valor das exportações, das importações, das variações de existências, da FBCF, etc.
3 Fisiocracia na Política
Os fisiocratas defendem a liberdade de trabalho e a liberdade de dispor dos produtos do trabalho. Apesar de subestimarem a atividade comercial, defendem a liberdade de comércio, a livre concorrência, fiéis à idéia de que a liberdade gera o bom preço. Quesnay, contudo, recomenda a regulamentação da taxa de juro, cuja liberdade repele como prejudicial aos interesses da agricultura. Em matéria de política fiscal, e porque é a terra que realmente produz riqueza, entenderam que é sobre a atividade agrícola que deve recair o imposto. Sob o aspecto político, mostram-se favorável ao chamado despotismo ilustrado e pensam que no Estado devem prevalecer os interesses dos proprietários rurais, com os quais o soberano é solidário, dado que é o co-proprietário dos produtos líquidos da nação.
4. Definição das Classes Sociais
Proprietários de terra
Inclui o soberano, os donos das terras e os cobradores dos dízimos. Esta classe subsiste pelo rendimento ou produto liquido que lhe é pago anualmente pela classe produtiva, depois que esta classe retirou antecipadamente da produção que ela faz renascer cada ano as riquezas necessárias para manter as suas riquezas de exploração.
Classe produtiva (arrendatários de terra)
Segundo os fisiocratas, é a classe que faz renascer pelo cultivo da terra, as riquezas anuais da nação, que realiza os adiantamentos das empresas dos trabalhos da agricultura e que paga anualmente os rendimentos dos proprietários da terra. Encerram-se na dependência desta classe todos os trabalhos e todas as despesas feitas até a venda das produções em primeira mão, é por esta venda que se conhece o valor da produção anual das riquezas da nação.
Classe estéril
Para os fisiocratas é estéril porque não produz excedente. É formada pelos cidadãos ocupados em outros serviços e trabalhos que não sejam os da agricultura, e suas despesas são pagas pela classe produtiva e pela classe dos proprietários, que retira, por sua vez, os seus rendimentos da classe produtiva.Esta classe sobrevive dos gastos das duas classes anteriores
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